Tuesday, November 9, 2010

Cinzas.



O dia foi daqueles em que nada interessa, nada satisfaz. A noite foi daquelas em que nada diverte, nada abstrai... Cansaço e falta de conforto, uma noite a mais na lista daquelas em que lágrimas não bastaram. Lembranças e mais lembranças... Uma vida inteira delas, todas convergindo para um mesmo ponto, a cabeça de um alfinete segurando um mundo inteiro. A paz não me basta, preciso de esperanças, projetos, metas, mas estes parecem tão vazios quando não compartilhados... Lembro-me então de como costumava viver a vida. Vivia ao lado das pessoas e me sentia feliz e seguro só de saber que era amado, me sentia esperançoso em tudo que tinha por vir, em tudo que pudesse acontecer. 

Aquele era eu, quem tinha por vício o amor. Quem precisava disso para viver e para sentir-se feliz e completo.

O que mudou? Bem, a única coisa que mudou foi que eu larguei o vício. Todos os viciados sabem como é a sensação da abstinência, não é? Você vaga e divaga sem saber o que está faltando. Tudo parece tão vazio e sem sentido. Sua fome nunca é saciada, seu sono nunca é revigorante, seu trabalho nunca parece produtivo.

Voltamos ao luto... É engraçado lembrar-me do luto que projetavam que eu deveria fazer, tamanho o amor que demonstrava, quando do fim de um relacionamento. Realmente a cegueira ante o sofrimento alheio não tem limites.

Hoje o único luto que faço é por mim mesmo, não por outrem. Não sinto falta desta ou daquela pessoa, não sinto dor por ter perdido algo que nunca fora meu. O que sinto mesmo é saudades de mim mesmo, daquela pessoa tão positiva e carinhosa, tão divertida e amável que eu era. Não importa se alguém me diz que ainda sou aquela pessoa. Eu sei a verdade e não posso evitar lamentar a perda. O amor morreu dentro de mim.

Auto-piedade? Não, não me apiedo que não dos meus inimigos. Sinto apenas o sentimento lúgubre de perda, o mesmo que advém da morte de um ente querido ou do objeto das afeições de um indivíduo, apenas o sentimento de que o mundo nunca mais será o mesmo.

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