Friday, July 23, 2010

Reflexão do dia.

Caminhando para o serviço, pensando na vida... Algumas coisas muito negativas passam pela minha mente, mas divertidamente não me machucam. Engraçado como algo que me faz chorar ao longo de uma vida inteira pode se tornar pequeno e tolo de um dia para o outro. Lembro-me de um relacionamento, uma vez que minha vida sempre girou em torno disso e tudo que tenho a lembrar arremete a este ou aquele relacionamento, onde a pessoa tinha tanto ciúme que eu mal podia ter amigos, quanto mais amigas. Quase uma década depois me lembro daquelas palavras das quais ri, e que há pouco tempo se tornaram um prisma tão obscuro e imundo pelo qual encarei a vida. Ela me disse:

- Talvez fosse melhor ser apenas sua amiga. Você dá tanto a elas que eu poderia viver bem assim.

Para aqueles que nada entendem do significado de tais palavras deixem que eu explique. Isto foi na verdade uma bravata na qual a pessoa demonstrava seu descontento com o fato de que minha feminidade me leva a ter tantas amigas mulheres e que dou tanta importância a meus amigos e amigas.

Anos depois, não mais que meses atrás, me deparo com a situação em que uma pessoa amada encontrava-se tão insatisfeita. Naquele momento onde minha mente divagava sobre os porquês de tudo aquilo que tanto me afligia então. Cheguei à dolorosa conclusão de que eu realmente sou complexo demais para valer os sacrifícios, de que aqueles a quem eu oferecia minha amizade nada precisavam me dar em troca para que eu ofertasse meu mundo e o que tenho de melhor. Já aquelas a quem amei tiveram de pagar, e caro, para terem o que eu tenho a oferecer. Em meio a tanta confusão e tamanhos disparates, aos prantos ofertei minha amizade, explicando o quanto isso seria melhor para ela a despeito do buraco que sentia no meu peito por tudo aquilo, a despeito do quão me sentia desmerecedor.

Divertido refletir sobre isso hoje... Parando para pensar nas conclusões que me ocorreram na última semana, no quanto me libertei de minhas angústias e dores... Penso em algo trágico, mas divertido. Realmente acho que não nasci para o romance. Não sei se este mundo não está preparado para isso, se sou eu que não estou preparado, não sei se eu sequer sou capaz de implementar todo o suposto romance que idealizo, mas o fato cru e simples é de que não deu certo. Sei que minhas amigas e amigos me fazem feliz, que na companhia deles e sem namorar ninguém, como é hoje, eu me basto, sou mais tolerável, sou divertido, tenho e recebo todo carinho e respeito que posso imaginar desejáveis... Por que então me desespero tanto para ofertar ou receber mais que isso? Por que tento buscar aceitação naquilo que sou, naquilo que quero, naquilo que sonho e idealizo? Realmente é triste imaginar, mas tudo aquilo que acontecia de bom durante as relações que tanto me fazia sentir bem, que tanto me fazia sentir realizado e completo, é para mim em fato um vício, um defeito de caráter, um desvio comportamental. Também é triste imaginar que se eu me esforçar realmente talvez eu seja capaz de viver sem isso, podendo manter minha mente e corpo em harmonia mesmo que hajam tantos e tantos sentimentos que me farão falta, mas cuja falta não me tornarão menos feliz, apenas menos satisfeito.

Bem, tristeza à parte ainda me restam tantas pessoas lindas a quem posso dar todo o carinho e amor que meu coração insiste em gerar, e que me darão o mesmo, seja por gratidão ou por considerar-me de fato merecedor. E dos prazeres sexuais, bem, realmente sentirei falta, mas depois desses últimos anos de negligência e desespero eu realmente consigo ver o porquê daquela linha tão simples e desgraçada no livro de estudo do zodíaco... Ela dizia sobre mim: Você nunca terá sorte nos prazeres amorosos.

Cá estou eu, contemplando um abismo que eu nunca aceitei estar a um passo de mim. Olho para ele sorridente, coração calmo, mente calma, sem medo ou remorso. Falo aos ventos o quão sou grato por tudo que me ofertaram e me ensinaram. Uma lágrima escorre, mas o sorriso não se apaga.

De braços abertos grito ao vento: EU NÃO ME ARREPENDO, MAS ACEITO O QUE HAVERÁ DE SER, POIS ENTENDO AGORA QUAL É O MEU VERDADEIRO LUGAR.
 

Me inclino à frente e me atiro àquilo que mais temi em minha vida.

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