Mais de uma década lutando, almejando, buscando, desesperadamente provar que meus ideais estavam certos. Muitas vitórias, muitas derrotas, o resultado da guerra que travei se revela após a completa e total exaustão de todas as minhas forças e esperanças.
Eu perdi. Perdi a vitalidade, a força, os sonhos, os ideais. Não há mais qualquer chance de vitória pelo simples fato de que não quero mais vencer.
Quando da hipocrisia daqueles que prontamente se ofereceram para lutar ao meu lado, que em fato se apoiaram em mim para buscar seus próprios ideais individualistas e egocêntricos, e quando viram que teriam de se esforçar e lutar, que teriam de correr atrás, desistiram e abandonaram o campo de batalha me deixando só e desamparado. De toda sua ingratidão em dizer que zelei demais ou de menos, que não fui suficiente ou fui excessivo, quando em fato apenas dei o que me foi pedido... Ingratidão.
Pessoas que pensaram que por que foram perdoadas em suas injúrias e agressões poderiam voltar a cometê-las incontáveis vezes, pensaram poder me condenar por ter sido ferido quando elas mesmas provocaram as feridas por pura negligência ou falta de percepção do que faziam. Que pensaram que só elas tinham direito de ser elas mesmas...
Bem, a culpa de vocês pela minha derrota é nula, pois fui eu quem acreditou em vocês mesmo quando se demonstraram incapazes de ceder, de compreender, de lutar. Minha insistência, persistência e tola credulidade me levaram à derrota.
Não me arrependo, porém. Valeu a pena. No entanto não me resta opção que não entregar os pontos e ceder, mais uma vez, ao que todos tentaram me mostrar com tanto afinco: Que romance, amor verdadeiro e incondicional e cumplicidade são ideais falhos, vazios, irreais. Neste momento me vejo no impasse que a música que marcou esta transição canta: O que mais há para mim, quando me foi dado apenas um desejo?
Sem a possibilidade mais remota de alcançar tal desejo, o que mais buscar?
Na incapacidade de compreender os desejos alheios, as motivações e ímpetos de outrem, tão conflitantes e centrados que são. Resta-me então apenas vagar. E vou vagando, sem objetivos claros ou sonhos, apagando um a um, dias após dia, todos os anseios, todos os sonhos, todos.
Na somatória de tudo o maior pesar que me restou foi a impressão de que ao meu lado todos ficam cegos, incapazes de perceber que nem só porque sou tolerante que podem me agredir deliberadamente. Nem isto, porém, posso atribuir como culpa de outrem. Foi eu mesmo que disse que não havia problema, tentando ignorar a mágoa e o rancor, almejando tolamente ser para os outros algo que nunca fui para mim mesmo, acreditando que se por qualquer razão sólida ou verdadeira que minha dedicação e boa vontade fossem constantes, eventualmente seria retribuído igualmente.
Aí está o resultado da minha guerra... como em qualquer outra, só restam destroços, feridos, mortos, e a sensação de que não havia real motivo para lutar.
Nota: Todos vocês sabem o que fizeram, queiram ou não lembrar em sua infinita incapacidade de se auto-avaliar. Eu já os perdoei, como sempre, mas nem assim vocês tentam ter o mínimo de bom senso para perdoar similarmente, mesmo sendo que toda a injúria foi causada, essencial e decisivamente, por vocês mesmos.
Não é o fato de que eu nunca devolvi as agressões que faz com que não merecessem retribuição. Mas bem sei que tal retribuição vocês mesmos se auto-infringiram e infringirão, invariavelmente.
Picture: silent scream by missmands
